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Instituto Fanilda Barros

Arterite de Takayasu: como o ultrassom ajuda a saber se a doença está ativa

O desafio não é só diagnosticar

A arterite de Takayasu é uma doença inflamatória rara que atinge sobretudo a aorta e seus ramos principais. Mulheres jovens, com menos de 40 anos, representam de 75% a 97% dos casos. Não existe exame de imagem ou laboratorial padrão-ouro com sensibilidade e especificidade adequadas, e o diagnóstico combina exame físico, laboratório e imagem.

Mas há um segundo desafio, igualmente importante: saber se a doença está em atividade. Isso muda o tratamento. Os dois casos publicados nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia em 2023 ilustram exatamente essa diferença.

Primeiro caso: doença sem sinais de atividade

Um menino de 6 anos, sem comorbidades, consultou o pediatra por cefaleia. No exame clínico foi detectada hipertensão arterial de 140 x 90 mmHg, e o ultrassom das artérias renais foi solicitado.

O exame revelou estenose superior a 80% no segmento proximal da artéria renal esquerda e espessamento do complexo mediointimal da aorta abdominal, reduzindo o lúmen em cerca de 40%. A angiorressonância confirmou os achados. Ao estudar as carótidas, apareceu espessamento significativo do complexo mediointimal em ambas as carótidas comuns, com preservação da carótida interna.

O ponto decisivo foi a ecogenicidade: o complexo mediointimal era hiperecogênico, sugerindo aspecto fibrótico, ou seja, ausência de atividade da doença. Os exames laboratoriais confirmaram, com proteína C-reativa de 0,1 mg/L e velocidade de hemossedimentação de 7 mm/h. O paciente foi tratado clinicamente e o acompanhamento ecográfico após um ano não mostrou alterações significativas.

Segundo caso: doença em plena atividade

Uma paciente de 22 anos apresentava dor cervical e axilar havia dois meses, que piorava com a movimentação e a palpação. O quadro evoluiu com piora da dor, febre e fadiga.

O ultrassom mostrou aumento dos diâmetros do tronco braquiocefálico, da carótida comum direita e da subclávia direita, às custas de espessamento mediointimal significativo, com suboclusão desses vasos. Observou-se queda da pulsatilidade e áreas hipoecogênicas com sinais de vascularização da parede arterial. A artéria vertebral direita estava ocluída.

As provas inflamatórias estavam muito elevadas, com proteína C-reativa de 97 mg/L e velocidade de hemossedimentação de 114 mm/h. Iniciado o tratamento com corticoide e pulsoterapia, cerca de um mês depois houve melhora clínica e o novo exame mostrou redução do calibre das artérias e desaparecimento dos sinais de vascularização da parede.

Os sinais de atividade ao ultrassom

O padrão a ser buscado é o aumento difuso, homogêneo e concêntrico do complexo mediointimal, associado ou não à perda da pulsatilidade. A medida é feita em corte longitudinal, no modo B, com transdutor linear de alta frequência, da borda interna do complexo mediointimal à borda externa da adventícia.

Áreas hipoecogênicas, aumento do calibre do vaso e presença de neovascularização na parede arterial indicam atividade. Já as áreas hiperecogênicas expressam material fibrótico e caracterizam um estágio mais crônico e estável. Esse padrão concêntrico e homogêneo também é o que diferencia a arterite da aterosclerose, que é assimétrica, não homogênea e frequentemente calcificada.

Por que isso importa

A criação das chamadas fast track clinics, que reúnem avaliação clínica, laboratorial e ultrassonográfica em 24 horas para pacientes com suspeita de arterite, reduziu o número de pacientes com perda permanente da visão e o número de biópsias na arterite temporal. É um argumento forte a favor do acesso rápido ao ultrassom vascular.

Referência: Barros FS, Santos SN, Storino J, Freire CMV, Barros FS, Dinis VG. Valor da Ultrassonografia Vascular na Definição de Atividade Inflamatória da Arterite de Takayasu: Relatos de Casos. Arq Bras Cardiol Imagem Cardiovasc. 2023;36(2):e20230021.

Dados-chave do estudo

  • Caso 1: menino de 6 anos, hipertensão, estenose renal maior que 80%, complexo mediointimal hiperecogênico, PCR 0,1 mg/L e VHS 7 mm/h
  • Caso 2: mulher de 22 anos, dor cervical e axilar, suboclusão de vasos supra-aórticos, PCR 97 mg/L e VHS 114 mm/h
  • Sinais de atividade: complexo mediointimal hipoecogênico, aumento do calibre do vaso e neovascularização da parede
  • Sinais de estabilidade: complexo mediointimal hiperecogênico com áreas fibróticas
  • Padrão da arterite: espessamento concêntrico e homogêneo, diferente da aterosclerose

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