Resumo do estudo
Artigo publicado no Journal of Clinical Medicine em agosto de 2026, com participação do Instituto Fanilda Barros, descreve três casos de síndrome da rede axilar (axillary web syndrome): um após mastectomia e dois sem histórico oncológico, surgidos após atividade repetitiva dos membros superiores (um torneio de squash e um dia de trabalho intenso em cozinha comercial). Todos apresentaram cordão subcutâneo palpável a partir da axila, dor e limitação da abdução do ombro. O ultrassom foi usado para excluir tromboflebite superficial, e não para confirmar a síndrome. Com fisioterapia, alongamento e mobilização progressiva, houve recuperação funcional em cerca de duas semanas nos três casos.
Uma síndrome conhecida, mas lembrada em um só contexto
A síndrome da rede axilar, também chamada de axillary web syndrome ou cording axilar, é caracterizada pelo aparecimento de cordões subcutâneos palpáveis ou visíveis que partem da axila e descem pela face interna do braço. Os pacientes costumam relatar dor, rigidez no ombro e dificuldade para elevar o braço lateralmente.
Desde sua descrição original, em 2001, a síndrome foi associada quase exclusivamente à cirurgia de câncer de mama, principalmente após o esvaziamento axilar. A incidência relatada varia de cerca de 6% a mais de 70%, uma variação que reflete diferenças de método e a falta de critérios diagnósticos padronizados.
O artigo publicado no Journal of Clinical Medicine em 2026 propõe ampliar esse olhar: a síndrome pode aparecer fora do contexto oncológico e deve ser lembrada por especialistas de várias áreas.
Os três casos
O primeiro caso foi de um homem de 34 anos, previamente saudável, que apresentou dor aguda e limitação do ombro esquerdo logo após participar de um torneio prolongado de squash. O exame mostrou um cordão palpável e visível partindo da axila, mais evidente durante a abdução do ombro.
O segundo caso foi o clássico: uma mulher de 35 anos em tratamento de câncer de mama que desenvolveu dor progressiva e limitação do ombro cerca de seis semanas após a mastectomia, com cordão palpável do mesmo lado da cirurgia.
O terceiro caso foi de uma mulher de 41 anos, sem doença oncológica, que apresentou o cordão após um dia de trabalho excepcionalmente intenso, com atividade repetitiva dos braços em uma cozinha comercial. Uma mamografia foi realizada e não mostrou alterações suspeitas.
O papel do ultrassom
Este é um ponto que o artigo faz questão de destacar. O diagnóstico da síndrome da rede axilar é clínico, feito pela história e pelo exame físico, com inspeção e palpação da axila durante a abdução do ombro. Nenhum exame de imagem ou laboratorial é patognomônico.
O ultrassom com Doppler entra com outra função: excluir diagnósticos concorrentes, principalmente a tromboflebite superficial, que também se apresenta como cordão doloroso, mas segue o trajeto de uma veia, costuma ter vermelhidão e calor local e mostra trombose ao Doppler. Nos três casos, o ultrassom não mostrou tromboflebite nem outras alterações estruturais.
Os autores reforçam que um ultrassom normal nunca deve ser interpretado como exclusão da síndrome. Pelo contrário: ao descartar as alternativas, ele aumenta a confiança no diagnóstico clínico e sustenta a decisão pelo tratamento conservador.
Diagnósticos diferenciais
Além da tromboflebite superficial, o artigo lista a doença de Mondor, que costuma acometer a parede torácica, a linfangite, com eritema e sintomas infecciosos, lesões musculares ou tendíneas, fibrose pós-operatória, capsulite adesiva e linfonodomegalia axilar, que se apresenta como nódulo e não como cordão linear.
O que causa a síndrome
O mecanismo ainda não está totalmente esclarecido. A hipótese inicial era de vasos linfáticos lesionados, trombosados e fibrosados. Estudos mais recentes mostraram que remodelamento vascular, inflamação, fibrose do tecido conjuntivo e alterações arteriais também podem participar. Os autores propõem entender a síndrome como uma resposta a uma lesão linfovascular localizada, independentemente do que a desencadeou.
A própria publicação é cuidadosa ao dizer que a relação temporal entre atividade repetitiva e síndrome, nos dois casos não oncológicos, não estabelece causalidade. A atividade deve ser vista como possível fator precipitante.
Tratamento e evolução
O tratamento foi conservador nos três casos, com fisioterapia, alongamento, mobilização progressiva do ombro e, quando indicado, liberação miofascial. Todos tiveram recuperação clínica e funcional em cerca de duas semanas de acompanhamento, sem necessidade de intervenção invasiva.
Limitações
Trata-se de uma série retrospectiva de três casos, sem escalas padronizadas de dor ou medida goniométrica do movimento, e a revisão da literatura foi narrativa. Por isso, o estudo não permite conclusões sobre incidência, fatores de risco, causalidade ou eficácia de tratamento.
Principais números do estudo
- Três casos: um pós-mastectomia e dois sem histórico oncológico
- Gatilhos não oncológicos: torneio de squash e trabalho repetitivo em cozinha comercial
- Todos com cordão palpável, dor e limitação da abdução do ombro
- Ultrassom usado para excluir tromboflebite superficial, não para confirmar a síndrome
- Recuperação funcional em cerca de duas semanas com tratamento conservador
- Incidência descrita na literatura: de 6% a mais de 70% após cirurgia de mama
Perguntas frequentes
O que é a síndrome da rede axilar?
É o aparecimento de um ou mais cordões sob a pele, partindo da axila e descendo pelo braço, acompanhados de dor e limitação para elevar o braço. Também é chamada de axillary web syndrome ou cording axilar.
A síndrome da rede axilar só acontece após cirurgia de mama?
Não. Embora seja mais conhecida após cirurgia de câncer de mama, há relatos após cirurgia de melanoma, coleta de sangue, biópsia e atividade repetitiva dos braços. Este artigo descreve dois casos sem histórico oncológico.
Como diferenciar da tromboflebite superficial?
A tromboflebite segue o trajeto de uma veia, costuma ter vermelhidão e calor e mostra trombose ao ultrassom com Doppler. Na síndrome da rede axilar, o cordão é fino e tenso, fica mais evidente ao elevar o braço e o Doppler não mostra trombose venosa.
Qual é o tratamento?
O tratamento é conservador, com fisioterapia, alongamento e mobilização progressiva do ombro. Nos casos descritos, a recuperação ocorreu em cerca de duas semanas.
Referência
Oliveira NC, Corassa JM, Barros FS, Mello Netto BAS, Bergmann A, Storino J. Axillary Web Syndrome Beyond Breast Cancer: Expanding the Clinical Spectrum Through Illustrative Cases and Contemporary Evidence. J Clin Med. 2026;15:6755. DOI: 10.3390/jcm15176755.
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Baixe o artigo original em PDF, publicado em Journal of Clinical Medicine. Acesso aberto, com os créditos dos autores e do periódico preservados.







