Pseudoaneurisma de carótida externa após amigdalectomia: um caso raro tratado sem cirurgia aberta

Uma cirurgia comum, uma complicação rara

A amigdalectomia é uma das cirurgias mais realizadas no mundo. As complicações mais frequentes são desidratação e comprometimento respiratório. Complicações vasculares existem, mas são raras, e quando ocorrem costumam envolver a artéria carótida interna, que passa mais próxima da região operada.

O caso relatado no Jornal Vascular Brasileiro em 2004 chamou atenção justamente por envolver a artéria carótida externa, cuja posição anatômica habitual a protege do trauma cirúrgico. Existem pouquíssimos casos descritos na literatura.

O que aconteceu com a paciente

Uma paciente de 21 anos foi submetida a amigdalectomia eletiva, sem intercorrências durante o procedimento. No sexto dia de pós-operatório apresentou sangramento na fossa tonsilar, precisando de sutura sob anestesia geral. No oitavo dia houve novo episódio, com necessidade de transfusão.

Cerca de 35 dias após a cirurgia, ela retornou com uma tumoração na região submandibular esquerda e dor ao engolir. A punção da tumoração revelou sangue no interior. Foi então solicitado o eco-Doppler colorido.

O papel do exame de imagem

O eco-Doppler colorido confirmou a existência de um pseudoaneurisma. A angiografia digital de subtração localizou a lesão na artéria carótida externa, mais especificamente no território da artéria lingual.

Esse ponto merece destaque. Uma tumoração cervical dolorosa pode ser confundida com abscesso, cisto branquial, linfadenite, tumor glômico ou até neoplasia. A escolha do exame certo evita uma abordagem cirúrgica equivocada em uma região com estruturas nobres.

O tratamento escolhido

No mesmo procedimento angiográfico, a equipe realizou cateterismo seletivo, embolização do saco aneurismático com partículas de gel-foam e oclusão da artéria nutridora com mola de Gianturco. Houve trombose imediata da lesão, confirmada no controle angiográfico.

O eco-Doppler colorido repetido um mês depois demonstrou a trombose do pseudoaneurisma. A paciente permaneceu assintomática ao longo de cinco anos de acompanhamento, sem recorrência de sangramento.

O que esse caso ensina

A abordagem endovascular evitou a dissecção de uma região onde o pseudoaneurisma pode envolver nervos cranianos, reduzindo a morbidade em comparação com a cirurgia aberta. E o eco-Doppler colorido cumpriu dois papéis: fechou o diagnóstico e comprovou o sucesso do tratamento no seguimento.

Referência: Roelke LH, Gómez Perez JM, Torezane FC, Barros FS, Pontes S. Tratamento endovascular de um caso raro de pseudo-aneurisma de carótida externa após amigdalectomia. J Vasc Br. 2004;3(2):172-5.

 

Baixe aqui Artigo Completo

Compartilhe:

Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Newsletter

Posts Relacionados

© Todos os Direitos Reservados

Rua José Teixeira, 290 - Praia do Canto | CEP 29.055-310 | Vitória - ES

Contrato de Mentoria