Varizes que vêm da pelve: a causa subdiagnosticada por trás das varizes que voltam

Por que algumas varizes voltam depois da cirurgia

Nem todo refluxo venoso nas pernas nasce na safena. Uma parte relevante vem da pelve, através de conexões venosas que escapam para a raiz da coxa, a região perineal e a face posterior da coxa. Quando essa origem não é identificada, a cirurgia trata o sintoma e deixa a fonte intacta. O resultado costuma ser a recidiva.

Esse estudo, publicado no Jornal Vascular Brasileiro em 2010 e aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal do Espírito Santo, avaliou justamente essa questão em uma amostra grande de pacientes.

Como o estudo foi conduzido

Foram analisadas 1.020 pacientes do sexo feminino encaminhadas ao laboratório vascular para mapeamento venoso dos membros inferiores, entre janeiro de 2006 e abril de 2008. A idade média foi de 48,1 anos. Pacientes com trombose venosa profunda foram excluídas.

Três métodos foram comparados: o Doppler colorido dos membros inferiores, realizado em todas as pacientes; o ultrassom transvaginal, realizado em 249; e a flebografia seletiva, considerada padrão-ouro, realizada em 54. Foram consideradas varizes pélvicas os vasos dilatados com 7 mm ou mais, tortuosos e com refluxo à manobra de Valsalva na região anexial.

Os resultados

A prevalência de refluxo de origem pélvica identificada pelo Doppler dos membros inferiores foi de 12,2%, ou seja, 124 casos. Entre essas pacientes, 51 (41,2%) já haviam sido operadas anteriormente, e a associação entre varizes recidivadas e tributárias de origem pélvica foi estatisticamente significativa.

O refluxo apareceu mais frequentemente na face posterior da coxa (38,7% dos casos), seguido pelas tributárias que desembocam na safena magna (28,2%) e pela face medial da coxa (22,6%).

A comparação entre os métodos

Aqui está o dado mais útil para a prática clínica. Comparado ao ultrassom transvaginal, o Doppler dos membros inferiores apresentou sensibilidade de apenas 41,3%, mas especificidade de 93,9% e valor preditivo negativo de 92%. Ou seja, ele não basta para diagnosticar varizes pélvicas, mas quando é negativo dificilmente há doença.

Já a comparação entre o ultrassom transvaginal e a flebografia mostrou sensibilidade de 96,2% e especificidade de 100%. Na prática, isso significa que o exame transvaginal, que é não invasivo e isento de risco, pode substituir a flebografia no diagnóstico, reservando o método invasivo para os casos em que o tratamento endovascular está indicado.

O algoritmo proposto

As pacientes com sintomas ginecológicos compatíveis com congestão pélvica, ou com achados clínicos e ultrassonográficos sugestivos de varizes de origem pélvica, devem ser encaminhadas para avaliação transvaginal. Confirmada a presença de veias anexiais com 7 mm ou mais e refluxo à Valsalva, a flebografia passa a ser indicada dentro do planejamento terapêutico.

Referência: Barros FS, Perez JMG, Zandonade E, Salles-Cunha SX, Leal Monedero J, Hilel ABS, Menezes AAB, Barros DS. Evaluation of pelvic varicose veins using color Doppler ultrasound. J Vasc Bras. 2010;9(2):15-23.

 

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