Quando uma artéria comprime uma veia
A veia ilíaca comum esquerda passa por baixo da artéria ilíaca comum direita. Em algumas pessoas essa compressão é suficiente para reduzir o calibre da veia e alterar a drenagem da perna esquerda. É a chamada síndrome de May-Thurner, também conhecida como síndrome de Cockett.
Os sinais costumam ser unilaterais: dor e inchaço na perna esquerda, aumento da circunferência da coxa ou da panturrilha e, ao exame, perda da fasicidade respiratória do fluxo venoso. Nos casos mais graves, o quadro evolui para trombose ileofemoral extensa, alterações de pele e úlcera venosa.
O que o estudo avaliou
Publicado no Journal for Vascular Ultrasound em 2018, o trabalho acompanhou 79 pacientes que receberam stent na veia ilíaca comum e/ou externa esquerda, com seguimento ultrassonográfico de 1 mês a 5 anos. A população foi predominantemente feminina: 72 mulheres (91%) e 7 homens, com idade média de 51 anos entre as mulheres.
Entre os 77 pacientes com dados disponíveis sobre trombose prévia, 40 (52%) tinham trombose da ilíaca esquerda antes do tratamento. Varizes pélvicas foram investigadas em 14 mulheres e encontradas em 8 delas.
Os resultados de perviedade
As taxas globais foram de 96% em 1 mês, 89% em 1 ano e 85% entre 3 e 5 anos. Mas os números ficam mais interessantes quando o grupo é dividido.
O stent restrito à veia ilíaca comum teve desempenho claramente melhor: 95% de perviedade entre 3 e 5 anos, contra 75% quando o stent se estendia para a veia ilíaca externa. Das 10 oclusões registradas, 8 ocorreram em pacientes com stent estendido, e 9 aconteceram em pacientes que já tinham trombose ileopoplítea antes do procedimento.
Entre os 25 pacientes sem trombose prévia, apenas 1 stent ocluiu. A idade não foi fator relacionado à falha.
O papel do ultrassom no seguimento
O ultrassom documenta a perviedade do stent, identifica trombo flutuante em fase precoce, detecta circulação colateral pélvica e avalia a fasicidade do fluxo. É um método não invasivo e de bom custo-benefício.
Os autores recomendam exames com 1 e 30 dias, 6 meses, 1 ano após o procedimento endovascular e anualmente depois disso, além de reavaliação sempre que houver mudança súbita ou gradual dos sinais e sintomas.
Uma observação importante
A compressão assintomática da veia ilíaca comum esquerda é comum e habitualmente não é tratada. O tratamento se justifica em pacientes com sinais e sintomas significativos, e nesses casos os pacientes sem trombose prévia evoluem melhor do que aqueles que já chegaram ao procedimento com trombose instalada.
Referência: Barros FS, Salles-Cunha SX, Roelke LH, Morais Filho D, Brandão NAP, Pontes SM. Arterial Compression of Left Iliac Veins: Five-Year Patency Rates of Endovascular Treatment. J Vasc Ultrasound. 2018;42(1):11-17.









